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Vote para o Brasil continuar sendo um país e um lugar habitável

Este artigo é para você, eleitor independente, que vai decidir quem será nosso líder nesse próximo domingo. Nessa eleição, mais uma vez como vem sendo desde os abusos da Lava Jato e ascensão da direita radical, o Brasil votará pela manutenção da sua democracia e soberania ou para deixar de ser um país livre. 

Apesar de desde 2018 termos tido a alternância entre o grupo bolsonarista, autocratas originários do esgoto político e estruturas criminais brasileiras, e do PT, como representante do pólo democrático mesmo que a contragosto para muitos, a direita radical vem avançando constantemente com seu plano de corrosão das instituições e da existência soberana do país.

Lula e o PT vêm com sua força usual mas feridos. Lula, apesar de quaisquer críticas, trabalha horas extras pela nossa democracia e o PT, maior partido popular da história do país, mesmo tendo perdido muito de sua credibilidade por problemas com a corrupção, como todos os outros partidos no país, é aquele que representa mais uma vez a democracia neste certame. 

Já os bolsonaristas continuam com sua fábrica de mentiras. São os mais corruptos mas dizem ser contra a corrupção, são ligados ao crime mas se dizem os combatentes do crime, são os traidores da pátria mas se dizem “os patriotas”. E não importam suas contradições e mentiras pois as mídias sociais estão ao seu lado para transformar mentiras em verdades, as repetindo não mil vezes como falou Goebbels, o líder da comunicação nazista, mas sim milhões de vezes. Não à toa essa direita radical defende a não regulação dessas mídias sociais, um acordo simbiótico entre as partes. 

O que o Brasil vive, e o mundo também, é uma realidade em que o espectro político foi puxado com forte viés para a autocracia da direita radical. É como se na esquerda quem desse às cartas no lugar do PT fosse o PSTU ou o PCO, na verdade ainda pior. Sim, é isso que o PL e seus partidos mais próximos representam no âmbito da direita. Fruto dessa guinada autoritária mundial, algoritmizada pelas mídias sociais e o sonho de controle político da maior parte das Big Techs, a emergência da direita radical é um fenômeno global. Ou você acha que é coincidência que o homem mais rico do mundo tenha comprado o Twitter para defender suas causas fascistas enquanto manipula a percepção social para também acumular capital? 

Previamente aqui neste mesmo Fervura escrevi sobre esse processo no artigo “São as mídias sociais estúpido” https://fervuranoclima.com.br/noticias/sao-as-midias-sociais-estupido/ , título que mudaria hoje devido a demasiada agressividade mas artigo que bem explica a afirmação realizada. A verdade é que sem o nefasto apoio e manipulação de massa para mudança comportamental permanente das mídias sociais, figuras incapazes e sujas como os Bolsonaros jamais teriam chances de ascender aos postos mais altos da política de países como o Brasil ou os EUA. Eles ali estão pois apesar de sua grave incompetência e histórico deprimente são muito bons para uma coisa específica: serem capangas do poder daqueles que acreditam que o “poder é o certo”, o conhecido “mighty is right”, e que prosperidade em si, mesmo que cometendo crimes, é uma virtude. 

As mídias sociais criaram a era em que dinheiro e poder são a vitória não importa como. Seja um infâme influencer vendendo bets, corretamente proibidas por Lula, ou um bilionário “libertário” que vive de contratos públicos conseguidos com corrupção e que mata crianças pobres na África ao entrar sadicamente num governo para cortar programas de cooperação humanitária enquanto rouba dados e toma o controle da infraestrutura pública digital com seus colaboradores. O que vale é o dinheiro e o poder, não importa se vidas sejam destruídas. 

Nessa disputa é preciso reconhecer que grande parte dos que votam em Bolsonaro não são fascistas, são pessoas vulneráveis e sem o discernimento necessário que foram viciadas no uso de mídias sociais e suas ativações programadas para controlar e guiar os impulsos humanos a favor do que o algoritmo mandar. 

É um fato de que os algoritmos fazem o mesmo que o führer desejava: dizer a você o que ver, acreditar e dizer. Agindo assim como um senhor dos fantoches em que os influencers são os seus subalternos fortalecendo a conformidade em câmaras de eco e o comportamento de tribo ao invés do pensamento crítico. Por isso, para muitos não importa o que Bolsonaro faça que eles sempre vão defender. A destruição das bases para que um bom debate seja feito, a falta de identitarismo e confronto no diálogo, é o maior risco para morte da civilização, como colocaram de Aristóteles a Dietrich Bonhoeffer, teólogo democrata que foi morto por sua oposição aos nazistas. E é isso que observamos na tentativa de dizer que o poder é a razão. 

Entretanto, como mostrou Niccolo Machiavelli, existem vitórias e existem vitórias sem glória. E é essa falta de glória e humanidade dos Bolsonaros e seus colaboradores que faz com que um pouco mais da metade da população resista a esse controle de massa digital e deseje votar em Lula neste domingo. 

É verdade que o 3o governo Lula não foi tão transformador como os dois primeiros, uma repetição da receita prévia noutro contexto de tempo e espaço mundial e nacional. O desmatamento foi diminuído, mas as emissões e exploração de petróleo continuaram contra toda evidência científica e econômica. Apesar do pleno emprego, o custo de vida aumenta sufocando as famílias brasileiras, como acontece em todo o mundo, e o governo preso aos dogmas do atraso econômico brasileiro não consegue investir para mudar essa trajetória enquanto nós cidadãos vemos a gradativa banalização da corrupção desabrochada nos governos Bolsonaro e Temer sem nenhum pudor mas que continua da mesma maneira entre os três poderes. Sim, muitas podem e devem ser as críticas a um governo Lula 3 pontual e muito pouco estruturante. Entretanto, se comparado a qualquer saldo do atual governo a possibilidade da volta do grupo Bolsonaro a escolha lógica tem de ser infinitas vezes por um novo governo Lula, ou qualquer outro candidato democrático. 

É preciso entender o que está em jogo. Como bem colocou o sociólogo Celso Rocha de Barros votar em Bolsonaro é literalmente transformar o Brasil numa Venezuela, com controle do governo Trump, recolonização, autocracia e pobreza. A traição da pátria é tão descarada que o candidato Flávio Bolsonaro disse que teria em sua equipe de transição a equipe de um governo estrangeiro, o americano, para atuar e planejar o seu governo em conjunto. Segundo ele, isso foi alinhado com o secretário de Estado americano, o radical intervencionista cubano-americano Marco Rubio, herdeiro do grupo do corrupto Fulgencio Batista, derrubado pela revolução cubana.

Enquanto isso, grande parte dos ricos brasileiros com profundo complexo de inferioridade fingem de suas casas em Miami que preferem um ajuste fiscal, desde que em direitos sociais e não incentivos fiscais, é claro, frente ao gritante risco de tomada anti-democrática de poder minimizando esse risco com um governo Bolsonaro mesmo sendo bem informados quanto ao seu real risco. Como apontou em texto recente João Moreira Salles, dono da revista Piauí e exemplo de que uma pequena minoria de bilionários também tem coração, principalmente quando têm alguma cultura. 

O que faltou ele falar é que na verdade esses ricos não são só tão ardentes amantes, ou junkies, do ajuste fiscal em troca da democracia, ou do neoliberalismo em troca de uma vida digna para a população, mas que na verdade esses ricos brasileiros sonham em serem o capangas de alto-nível, ou melhor, vassálos, dos anglo-saxões americanos como o são os cubanos de direita de Miami de quem niguém menos que o próprio Marco Rubio é cria.  

Entretanto, o risco à nossa soberania com os Bolsonaros não é só externa, é também interna. Notoriamente representante de grupo político miliciano, o próprio Flávio defendeu a legalização das milícias em 2007. O seu grupo político reflete a tendência de homogeneização e colaboração entre as milícias e facções, o que é refletido pela sua forte ligação e amizade pessoal com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Estadual do Rio de Janeiro, preso por ligação com a alta cúpula do Comando Vermelho. 

Um golpe de estado Bolsonarista pode ser inclusive pior do que o criminoso golpe de 1964 pois dessa vez junto com alguns traidores da pátria das forças armadas quem apoiaria o golpe seria o próprio crime organizado. Não só o armado mas o financeiro também como fica evidente por sua ligação com seu “irmão para o que der e vier sempre” Daniel Vorcaro, protagonista da maior fraude financeira da história do país e seu Banco Master. Criado durante o governo de Bolsonaro pai e que tem Fabiano Zettel, seu diretor-financeiro e cunhado de Vorcaro, como o maior doador pessoa física da história das campanhas de qualquer Bolsonaro.  

Os riscos existenciais são definitivos: (1) o fim da nossa democracia com o controle do crime sobre o dia-a-dia do país; (2) o fim da nossa soberania com a entrega do Brasil em todos seus aspectos a um poder estrangeiro e (3) o retrocesso total e absoluto de nossa já frágil política climática com a eleição de Bolsonaro. 

Um misto de completo ignorante e mentiroso profissional que declarou no Jornal Nacional que não acredita nas Mudanças Climáticas mesmo quando o Brasil vive devastadoras transformações e eventos sendo hoje o segundo país com mais tornados no mundo e vivendo secas e incêndios continentais na Amazônia e por todo o país, chuvas destruidoras como no Rio Grande do Sul e deslizamentos e tempestades por todos os lugares. Eleger Bolsonaro significa deixar o Brasil às traças para lidar com os catastróficos impactos dos eventos extremos da crise climática sem nenhuma adaptação, descarbonização e regeneração ambiental. O que frente ao fato de o Brasil ser um dos países mais impactados pela crise climática tem tudo para nos tornar em grande medida num país inabitável.

Por mais que você esteja decepcionado com Lula, uma eleição é sim uma escolha comparativa. E a escolha desta é continuar fora do inferno mesmo que ainda no limbo sem avançar o suficiente para chegar no céu com o mesmo ou mergulhar nas profundezas do inferno com Bolsonaro. As possibilidades são o Brasil continuar sendo uma democracia ou não, um país ou não, se nós teremos um lugar habitável no novo clima ou não. Por isso neste domingo vote Lula e mantenha viva a oportunidade de mudanças sejam de seu próprio governo ou com novas lideranças.

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