“Caminante, no hay camino: se hace camino al andar”, canção de Juan Manoel Cerrat
MAPA DO CAMINHO
E não é que no meio de tanta caminhada surgiu um mapa do caminho!
Já contei aqui que a COP é feita de caminhadas… caminhadas e mais caminhadas… confesso que não tenho mais pernas nem pés, mas isso é pouco diante do tamanho do nosso problema, então seguimos… adelante!
E digo isso porque nesta terça (18) à noite saiu uma das notícias mais importantes desta COP até o momento. Segundo nota da Agência Brasil “representantes ministeriais de mais de 80 países declararam apoio oficial a um mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis proposto pelo Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O anúncio ocorreu durante o evento Mutirão Call for a Fossil Fuel Roadmap, que reuniu uma coalizão de países do Norte e do Sul Global. O mapa do caminho ou roadmap (em inglês) é o conceito usado para falar de planos de ação que estabelecem etapas e metas para um determinado objetivo. A proposta ganhou força no início da Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), quando o presidente Lula convocou os países para construir um calendário global de abandono do petróleo, gás natural e carvão mineral”.
Uma mobilização nunca antes vista!
Inserir carbono e combustíveis fósseis nos acordos finais da COP sempre foi um problema, é como se fossemos obrigados a fingir que não vemos o elefante cinza quase preto gigante no meio da sala. Portanto, este anúncio é mais uma pontinha de esperança para quem quer se agarrar em algum resquício de otimismo.
Eu não sei qual será o final desta caminhada em Belém, mas um fato notável até o momento é que esta COP teve uma forte pressão popular. As organizações da sociedade civil brasileiras não se intimidaram em apresentar suas reivindicações. A Marcha pelo Clima foi a maior já realizada, segundo alguns com cerca de 70 mil pessoas. Nunca se viram tantos cocares em meio aos corredores da COP.
Portanto, por mais que o lobby tente abafar, esconder ou dominar, algo se move, algo caminha. O que era uma urgência há alguns anos atrás se coloca agora à frente de todos nós, é mais do que uma emergência. Este mapa do caminho talvez já nasça cheio de buracos, desastres naturais, furacões, em seu traçado, mas ele pode (ainda se tornar realidade).
Adendo, a tragédia que ocorreu no Rio Grande do Sul foi amplamente citada na COP, utilizada como exemplo muitas vezes aqui durante as negociações. Que sirva esta façanha pelo menos para provocar os líderes do mundo a pensarem melhor no que estão fazendo. Ou protegemos a vida das pessoas, ou protegemos a indústria. E acabaremos entregando o Prêmio Fóssil do Dia – o antiprêmio que destaca quem atrapalha o combate à crise climática – para toda a humanidade.
Antes que isso aconteça, a sociedade civil, em especial a brasileira, certamente fez diferença nesta COP e aqui vamos com alguns registros de pessoas que fazem a diferença e trabalham muito além da COP pelo planeta!
No Clima Social da COP

Como Carol Quintanilha que dirige a fotografia do documentário “Floresta na Boca” de Bel Coelho. A encontrei no lançamento do livro aqui em Belém.

E os Vilelas, talentosos “primos” Miguel Vilela do jornalismo e Rafael Vilela da fotografia com trabalhos sempre focados nos povos indígenas e meio ambiente.
Em breve voltaremos, espero que com mais notícias boas, direto de Belém!










