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A primeira parte da Sustentabilidade é a Humana

Pedro Henrique de Cristo

 

Quando observamos quais países são os mais sustentáveis em termos gerais, como os países Escandinavos por exemplo ou a Costa Rica no nosso contexto latinoamericano, é evidente uma forte correlação entre maiores níveis de IDH-Índice de Desenvolvimento Humano e diminuição nas emissões de gases de efeito estufa juntamente a menor desmatamento. Isso indica que países com maiores níveis de educação, renda per-capita e níveis de longevidade, os indicadores que compõem o IDH têm sido mais comprometidos em realizar a transição climática que precisamos efetivar urgentemente.

Dessa maneira, quando pensamos em sustentabilidade o primeiro passo para realizá-la de forma efetiva é garantindo sua saúde, segurança, educação, conscientização e criando oportunidades para as pessoas protagonizarem essa mudança com a consciência e agência do que deve ser feito.

Mas o que estamos fazendo para transformar o que somos como povo e humanidade? Não o necessário enquanto a rampante desigualdade que observamos em todas as áreas pelo mundo se reflete também no ambientalismo. Se as negociações e ações climáticas continuarem concentradas nas mãos de governos, o capital mundial e uma elite ambiental liberal que domina as instituições civis de sustentabilidade, a mudança que necessitamos não será alcançada porque, simplesmente, as pessoas mais afetadas, a população em geral e os movimentos de base ambientais estão sendo alienados desse processo e não estão sendo preparados e incluídos nele.

Paulo Freire, Elinor Ostrom e Chico Mendes desenharam a solução para mudar o mundo na direção que queremos. Em linha com o que apontamos acima, Paulo Freire nos alertou que

“Educação não muda o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

Então, logicamente se garantirmos uma vida decente e boa educação para todos, transformaremos a humanidade e consequentemente transformaremos o mundo. Entretanto, por que isso não acontece no Brasil e na maioria do planeta? Por causa de questões de classe e de grupos de interesse privado acima do interesse público.

Elinor Ostrom, antropóloga vencedora do prêmio Nobel de Economia pela teoria da gestão dos comuns, deixava claro que para que consigamos viver e criar uma sociedade sustentável precisamos primeiro nos entender uns com os outros e que quando isso não acontece, temos correlacionada a destruição do meio ambiente onde deveríamos alcançar a sustentabilidade.

Então o que fazer numa situação como a do Brasil em que vivemos o extremo da necropolítica durante a pandemia do COVID-19 onde um grupo de interesses privados sequestra a garantia de vida de um povo, seus recursos, propositalmente transforma o seu ambiente em insalubre por meio de ações genocidas contra o distanciamento social e a vacinação e destrói de forma desumana sua natureza para acumulação de riqueza ilegal?

Como diria Chico Mendes, “Ecologia sem luta de classes é jardinagem.”

 

Pedro Henrique de Cristo é Brasileiro, Nordestino, Mangueirense, Flamenguista e Petista, Polímata, Urbanista e Professor no URBAM-EAFIT Medellín, MPP’11 Harvard

A primeira parte da Sustentabilidade é a Humana

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